Viagem Espacial
O SpaceShipOne inaugurou de vez a corrida pelo turismo espacial. Foi a primeira nave tripulada construída com recursos privados a mostrar a viabilidade de viagens regulares para o espaço. A nave saiu da órbita da Terra duas vezes em cinco dias – em 29 de setembro e 4 de outubro – e assim provou que já é possível programar vôos comerciais para viajantes espaciais. E existe inclusive uma empresa criada para oferecer esses passeios estrelares, com passagens que devem começar na casa dos US$ 200 mil.
É verdade que um vôo do Space-ShipOne não se encaixa no que a imaginação costuma esperar de uma viagem espacial. A nave foi lançada a partir de um avião, a pouco mais de 13 mil metros de altitude, utilizou seu foguete durante pouco mais de um minuto e desenvolveu velocidade três vezes superior a atingida pelo som. Assim chegou a mais de 100 quilômetros de altitude – no segundo vôo, atingiu 114 quilômetros, um recorde.
Foi o bastante para deixar a atmosfera da Terra e fazer com que os chocolates levados pelo piloto no segundo vôo flutuassem sem gravidade pela cabine. Perto de uma hora e meia depois da partida, o SpaceShipOne estava de volta ao aeroporto de Mojave, na Califórnia (EUA). Uma façanha, mas nada comparável ao que a corrida espacial já conseguiu nas mãos de organizações governamentais. Basta dizer que faz mais de 25 anos que a Nasa realizou com sucesso sua primeira missão tripulada à Lua – que fica a 384 mil quilômetros da Terra.
O mais importante, no entanto, foi a combinação de tecnologia com iniciativa empresarial, que abriu um campo novo e muito concreto para o turismo espacial. Já houve turistas galácticos antes. O norte-americano Dennis Tito, em 2001, e o sul-africano Mark Shuttleworth, em 2002, pagaram US$ 20 milhões cada um para embarcar em uma cápsula Soyuz, russa, em viagem de dez dias a uma estação espacial. Agora, porém, os passeios espaciais parecem viáveis como negócio.
Os responsáveis pelo SpaceShipOne ganharam o prêmio X Ansari, no valor de US$ 10 milhões, disputado por duas dúzias de equipes havia oito anos e destinado ao primeiro que conseguisse fazer dois vôos para fora da atmosfera em duas semanas. A premiação foi proposta justamente para estimular a corrida privada ao espaço, a exemplo do que fez o prêmio Orteig, dado em 1927 ao piloto Charles Lindbergh, o primeiro a cruzar sozinho o Atlântico.
Dessa forma, o magnata Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, e o engenheiro Burt Rutan, responsável técnico, recuperaram parte dos US$ 20 milhões empregados no SpaceShipOne. Por outros US$ 20 milhões, eles licenciaram a tecnologia para o excêntrico milionário britânico Richardo Branson, do grupo Virgin, que trabalha para fazer as primeiras viagens comerciais ao espaço até 2007.
Opportunity e Spirit, dois jipes-robôs da Nasa, desceram em Marte no início do ano e passaram meses revirando a superfície do planeta atrás de sinais de água. Coletaram e analisaram rochas, rodaram centenas de metros, passaram alguns sustos, mas permitiram aos cientistas concluir: houve água abundante no planeta. A descoberta, feita em março, abriu uma nova frente no conhecimento de Marte, porque a água é considerada sinal importante de que pode ter havido vida extraterrestre. A expedição dos dois jipes foi bolada especialmente para encontrar vestígios de água. Havia evidências, mas nenhuma garantia. Tanto assim que a Nasa teve uma surpresa. Pousou o Spirit direto na cratera Gusev, apostando que ali havia sido um grande reservatório de água, como um lago. Nada. Três semanas depois, o Opportunity começou a explorar o outro lado do planeta e ali, sim, foram achados sinais de muita água – talvez o que já tenha sido a orla de uma extensa área inundada. O físico Paulo Sousa Júnior, único brasileiro na missão da Nasa, acredita que os melhores resultados da expedição virão com a análise dos dados nos próximos anos.
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