Dom Pedro II e suas duas mulheres

Digitalização de jornal irlandês resgata viagem do imperador com a esposa e uma amante

por Ernani Fagundes

Fazia sol na manhã de 7 de julho de 1877, quando dom Pedro II (1825-1891) desembarcou em Belfast, capital da Irlanda. Usava trajes simples, para a decepção dos locais, que aguardavam uma passagem mais pomposa do rei do Brasil. Faziam parte da comitiva a imperatriz, dona Tereza Cristina (1822-1889), e a condessa de Barral (1818-1891), amante do imperador. Essa viagem permaneceu pouco conhecida, até que a recente digitalização do arquivo do jornal The Irish Times facilitou o acesso a relatos sobre ela. O tour fez parte de uma jornada de 16 meses, que passoupor quatro continentes. A maioria dos lugares é citada nos diários de dom Pedro II, mas não a Irlanda - provavelmente porque a condessa, para quem ele escrevia os relatos, estava presente. Por isso, poucos historiadores sabiam da visita ao país. Uma exceção é o britânico Roderick Barman, autor de Citizen Emperor ("Imperador cidadão", sem versão em português). "A condessa de Barral se reuniu a ele na Inglaterra e deixou a comitiva na Grécia", ele afirma. Em território irlandês, o monarca cumpriu uma programação intensa. Durante quatro dias, foi a cinco cidades e conheceu hospícios, museus e a sede da cervejaria Guinness. Quanto à condessa de Barral, trata-se de Luísa Margarida de Barros Portugal (1818-1891). "Não foi uma bela mulher, mas era muito inteligente", afirma Barman. "Pedro II mandou-lhe cartas apaixonadas. Ao mesmo tempo, escrevia mensagens idênticas a outras senhoras." E a rainha, sabia? "Sim, mas fazia vistas grossas."

Barba branca e bigode
Leia dois trechos das reportagens da época

"Sua Majestade, que é de estatura média e não tem a pele muito escura, considerando o clima de onde vem, tem barba branca e bigode, e estava vestido com um terno preto, sem nenhuma insígnia que tão frequentemente distingue a realeza." (9/7/1877)

"O imperador, acompanhado pela imperatriz e pela condessa de Barral, seguiu em carro aberto pela cidade, visitando o Queen’s College, o manicômio e edifícios religiosos. Eles almoçaram às duas no hotel Imperial e partiram imediatamente." (11/7/1877)

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